Novas fronteiras na Pancreatologia
Necrosectomia na pancreatite aguda grave, tratamento endoscópico na patologia benigna e quimioterapia e radioterapia no carcinoma são os temas do simpósio do Clube Português do Pâncreas. Dia 12 de Junho, às 10h00, na sala Fénix II.
As novas estratégias terapêuticas na abordagem de alguns aspectos da patologia biliopancreática dão o mote ao simpósio do Clube Português do Pâncreas (CPP), que decorre no último dia do congresso. A Dra. Teresa Antunes, presidente do CPP e uma das moderadoras da sessão, promete: “Serão abordados aspectos práticos de actuação, de plena actualidade e serão revistos protocolos terapêuticos”.
Representando “abordagens menos tradicionais, mas cada vez mais adoptadas e com bons resultados”, os temas do simpósio estão, como assegura a moderadora, “na ordem do dia”.
O primeiro – necrosectomia na pancreatite aguda grave – vai ser abordado pelo Dr. Albano Rosa, chefe de serviço de Gastrenterologia dos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC).
“A necrose pancreática é uma das complicações mais severas da pancreatite aguda”, começa por reflectir o palestrante. “O tratamento tradicional tem sido a cirurgia, mas esta associa-se a elevadas taxas de morbimortalidade. Associada à drenagem endoscópica, a necrosectomia, uma técnica minimamente invasiva, é uma alternativa segura, indicada principalmente nos doentes com necrose pancreática organizada e sintomática”.
Segundo Albano Rosa, “a TAC pode não fazer a distinção entre necrose organizada e pseudoquisto, pelo que a decisão de intervir é baseada mais na evolução clínica desfavorável”. Se possível, “deve-se esperar pelo menos quatro semanas para que a necrose fique “organizada”, aconselha o gastrenterologista.
Albano Rosa afirma que “para a necrosectomia endoscópica, é desejável ter uma sala polivalente com eco-endoscopia e CPRE (colangiopancreatografia retrógrada endoscópica) e dispor de endoscopistas experientes, para além de um adequado apoio radiológico e cirúrgico”.
Vários centros têm apresentado a sua experiência “no desbridamento retroperitoneal directo, com taxas de eficácia inicial de 80 a 90% e 7 a 26% de complicações”. “A chave estará”, recorda o especialista, “em aguardar pela organização da necrose e na criação de um acesso largo à cavidade, o que permite taxas de resolução completa superiores a 80%, contra os 45% da drenagem transmural com próteses”.
Próteses metálicas na patologia benigna
O tratamento endoscópico na patologia biliopancreática benigna será um tema abordado pelo Dr. António Marques, gastreterologista do Hospital de Santa Maria. “Várias atitudes terapêuticas são possíveis nas situações benignas, desde a simples esfincterotomia endoscópica às dilatações e à aplicação de próteses, com mais ou menos sucesso, consoante o tipo de lesão”, sumariza o prelector.
“Recentemente, foi proposta a utilização de próteses metálicas cobertas, em tempo limitado, em especial nas lesões estenóticas – força radial constante -, aparentemente com resultados razoáveis”, indica António Marques. No entanto, “faltam trabalhos que demonstrem a boa relação custo/eficácia”
Radioterapia no Carcinoma do Pâncreas
A Dra. Margarida Borrego, do Serviço de Radioterapia dos HUC, vai abordar o papel da radioterapia no tratamento do cancro do pâncreas.
“Teoricamente, a radioterapia pré-operatória tem vantagens quando comparada com a pós-operatória: os tecidos estão mais oxigenados e, por isso, mais sensíveis à radiação; o campo cirúrgico fica esterelizado, diminuindo a possibilidade de recorrência local.
Além disso, selecciona para cirurgia os doentes com carcinoma mais estável ou que responderam ao tratamento e aumenta as taxas de ressecabilidade”.
Note-se que a radioterapia pré-operatória “pode ser utilizada nos tumores ressecáveis borderline, embora careça de estudos randomizados”. Já nos tumores irressecáveis e localmente avançados, o seu papel continua controverso, afirma a especialista.
“Por um lado, a radioterapia pode diminuir a progressão da doença local e possibilitar o alívio de sintomas como a dor e a obstrução. Por outro, a possibilidade de doença micrometastática à distância é elevada e o tratamento também tem efeitos secundários”, explica Margarida Borrego. “No entanto, com as novas técnicas de radioterapia, consegue-se melhor envolvimento do volume a irradiar e menores doses nos órgãos sãos adjacentes”.
O papel da quimioterapia no tratamento do cancro do pâncreas também será abordado no simpósio do CPP, pela Dra. Anabela Sá, directora do Serviço de Hospital de Dia de Oncologia dos HUC.
